História – Saia Para Voar

Quando uma mulher coloca alguma coisa na cabeça, já se sabe que algo vai acontecer. Imagine, então, o que acontece quando várias delas colocam a mesma coisa na cabeça! É nesse espírito de união de ideias, propósitos, energia, boa vontade, fé na missão e amor ao voo livre que nasceu o Saia Para Voar, primeiro encontro feminino de Voo Livre, que aconteceu no Pico do Gavião, em Andradas, dias 10, 11 e 12 de outubro de 2015.

Longe de reforçar discursos de gênero, o Saia Para Voar não surgiu com intuito separatista e nem de ser um evento exclusivo para mulheres, mas sim como uma oportunidade de reunir essas pilotos, que vêm aumentando em quantidade por todo o país, em um esporte que é majoritariamente praticado por homens. E eles não poderiam ficar de fora. Mesmo que a ideia central seja a reunião das mulheres voadoras, o evento é aberto a todos, e os “meninos” também foram convidados e têm apoiado com suas inscrições, sugestões e todo tipo de “tamojunto” necessário para reforçar o espírito agregador e amistoso do evento.

Se procurarmos saber onde isso tudo começou, encontraremos o fio da meada na criação do grupo fechado “Brasileiras Aladas”, no Facebook, em 2011. Foi uma primeira tentativa de reunir as praticantes – ainda que virtualmente – conhecer suas histórias, compartilhar vivências e conhecimento. A quantidade de pilotos femininas que aderiram ao grupo começou a chamar a atenção de todas. Não sabíamos que éramos tantas.

Como não poderia deixar de ser, não demorou a surgir a ideia de um encontro real, na rampa, para voarmos juntas e fortalecermos esse laço tão forte que nos une, afinal, compartilhamos a mesma paixão. Houve uma primeira confraternização, no curso de lançamento de reserva, ministrado pela piloto Marcinha Finelli em Santa Rita do Sapucaí (MG), em 2012. E ali começou a surgir a ideia de um evento maior, reunindo mulheres de todo o Brasil e até de outros países. As cacholas começaram a bombar feito térmica forte: Como? Quando? Onde? Quantas? Que nome vai ter? E entre as várias ideias, prevaleceu a sugestão da goiana Lyne Sussuarana: “Saia Para Voar”.

No departamento “mãos a obra”, a mineira Pri Saran começou a reger tudo magistralmente e as colaboradoras foram se somando. Primeiro no grupo do Facebook e depois por Whatsapp, e-mail, Skype, telefone, tambor, sonho, telepatia e fumaça… todos os meios de comunicação foram e têm sido usados para dar forma e vida ao evento.

O local e a data foram eleitos pela maioria, em votação realizada no grupo. O Pico do Gavião, em Andradas (MG), uma das melhores rampas de Voo Livre do país e de fama internacional, abraçou a ideia e apoiou o evento, oferecendo a data de 10, 11 e 12 de outubro e todo o suporte necessário para a realização. E a data escolhida não foi aleatória. O 10º mês do calendário carrega a importante marca do Outubro Rosa, quando se reforçam as ações preventivas contra o Câncer de Mama, campanha que também está sendo amplamente divulgada e apoiada pelo Saia Para Voar. Além disso, a data coincide com o Dia das Crianças, e viu-se nisso uma excelente oportunidade para os filhos dessas pilotos comemorarem o dia na rampa, num evento protagonizado por suas mães voadoras. Contamos também com a valiosa colaboração do piloto de Asa Delta e Parapente, Eder Oliveira Franca, designer gráfico, cujo logo foi o vencedor na votação que escolheu a marca a representar o nosso evento, entre as 6 opções voluntárias enviadas.

Dadas as inspirações, o segundo passo foi partir para as transpirações… e da-lhe trabalhar! Elaboração do evento, formato, busca de apoios e patrocínios, o caminho da Kickante com sua proposta de financiamento coletivo, outras formas de capitalização de recursos, parcerias, segurança, eventos paralelos, brindes, sorteios, divulgação, sonhar e realizar.

E, assim, o evento tomou forma. Há quem já diga que o Saia Para Voar não é um evento, mas sim um movimento.

Acreditamos que este tenha sido apenas o primeiro passo de uma longa história inspiradora de outros encontros, afinal, estamos unidas pelo amor aos céus e à liberdade, e escolhemos utilizar nossas ferramentas para criar amor e união!

Por Inahiá Castro

Conheça o time que se dedicou de corpo e alma para a 1ª edição do Saia Para Voar:

 

  • Santa Rita do Sapucaí/MG

    Pri Saran – Santa Rita do Sapucaí/MG

    Entre seus talentos: Comunicação, criatividade, empreendedorismo, liderança, naturalismo…

    É mãe do Gabriel (anjo inspirador, BFF), analista de sistemas, especialista em marketing digital, assessora de imprensa e Coach de Talentos. Ganhou asas em 2008 e desde então mais agitou que voou: staff no Campeonato Sul Mineiro de Parapente em 2008, 2009 e 2010; staff do PWC em Poços de Caldas 2010; diretora social do CSMVL em 2009/2010; colunista do VooNews em 2012; criou o grupo Brasileiras Aladas em 2012, que reúne mais de 300 aladas de todos os 4 cantos do Brasil. Sonhou, vibrou e realizou o 1º Encontro Feminino de Voo Livre, como forma de sua gratidão ao esporte, que tanto contribuiu positivamente para os seus processos.

    As montanhas não são estádios onde satisfazemos nossa ambição esportiva, mas sim catedrais onde praticamos nossa religião. Anatoli Bourkreev
  • Rio de Janeiro/RJ

    Elisa Eisenlohr – Rio de Janeiro/RJ

    Entre seus talentos: Comunicação, empreendedorismo, criatividade, planejamento, instrução…

    Mamãe fresca da Mia e do Thomas (futuros voadores), jornalista, tradutora e administradora de empresas com especialização em administração internacional, pós-graduada em Gestão Cultural, editora da Cross Country Brasil, assessora de comunicação da ABVL. Atualmente envolvida no universo das competições, voa de parapente desde 2006, foi Campeã Brasileira de Parapente 2017 e Campeã do Sul-Mineiro 2012. É comprometida, cheia de iniciativa, energia e alegria. Já realizou muitas viagens e sonhos, mas não pára de sonhar nos seus próximos projetos: ter uma vida ainda mais próxima da natureza, fazer uma viagem de voo bivaque pelos Alpes e viajar o mundo em um veleiro.

     

    Eu assimilo tudo que está no ar. Eu aceito todas as influências do mundo. Nélida Piñon

     

     

  • São Paulo/SP

    Inahiá Castro – São Paulo/SP

    Entre seus 427 Talentos: Comunicação, música, culinária…

    Mãe do João Pedro (o magnífico) e jornalista. Voa há mais de 20 anos de parapente, foi uma das primeiras mulheres a voar de parapente no Brasil. Presidiu a Federação Paulista de Voo Livre, entidade que deu início à Associação Brasileira de Parapente. Atualmente Inahiá apoia o departamento de Imprensa e Relações Públicas da Associação Brasileira de Parapente. Desde o início de sua prática esportiva, participou ativamente da organização e divulgação do Voo Livre, principalmente da modalidade Parapente. Durante 5 anos foi proprietária e editora da Revista Sky News, primeira publicação brasileira totalmente voltada para o Voo Livre.

     

    Primeiro te ignoram, depois riem de você, depois te combatem e então, você vence. Mahatma Ghandi

     

  • Porto Velho/RO

    Izabela Lima – Porto Velho/RO

    Entre seus talentos: Sociabilidade, senso analítico, proatividade, música…

    É manauara (AM), onde formou-se como Engenheira Florestal e desenvolveu atividades relacionadas à música. Mudou-se para para Porto Velho – RO, onde conheceu o vôo livre em 2013, a 320 km na cidade de Ouro Preto d’Oeste, através de seu namorado – seu principal apoiador e financiador para sua iniciação ao esporte e pela expectativa de ser a única piloto feminina no voo livre do Estado. Se dedicou e realizou o sonho de voar na capital que não possui rampa (com voo de parapente rebocado), ação que permitirá aos praticantes voarem com maior frequência e incentivar quem tem esse sonho, mas pela distância acaba desistindo.

     

    O essencial é invisível aos olhos, só se pode ver com o coração. Pequeno Príncipe 
  • Goiânia/GO

    Lyne Sussuarana – Goiânia/GO

    Entre seus talentos: Comunicação, criatividade, inovação, proatividade, resiliente e aventureira.

    É goiana neta de seringueiros acreanos. Possui forte ligação com a natureza. Pratica montanhismo desde 2010 e iniciou a prática com a conquista do Monte Roraima. Como profissão, trabalha pela conservação do Meio Ambiente: é Química e Engenheira Ambiental. Conheceu o voo livre em 2005. Inspirou o nome ‘Saia Para Voar’ e sai para voar desde 2012 em seu sítio de voo que é Jaraguá, considerado o paraiso do Cross Country. Foi vice-presidente do clube Goyases Parapente Clube. Seu maior sonho: Melhorar a estrutura da rampa de Jaraguá e sair voando pelo mundo, incentivando o esporte e a conservação do Planeta.

    Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores. Cora Coralina 
  • Palmas/TO

    Marcinha Finelli – Palmas/TO

     

    Entre seus talentos: Culinária, artes plásticas, comunicação, fisioterapia.

    Ela é a acrobata Márcia Finelli. Mineirinha de Belo Horizonte, conheceu o esporte em Palmas TO em 2002 e desde então dedicou-se totalmente em sua evolução e realizações pessoais, viajando pelo Brasil, conhecendo novas rampas e aperfeiçoando sua técnica. Campeã Brasileira de acrobacia, é instrutora de lançamento de reservas, gosta de levar conhecimento a todos os lugares por onde passa. Atualmente se dedica à modalidade Hike and Fly. Em 2018 foi convidada a desbravar o voo de Parapente no Morro da Catedral no Jalapão/TO.  https://voafinelli.blogspot.com.ar/

     

    Adrenalina à flor da pele. Ela é a Marcinha Finelli. 

     

  • Andradas/MG

    Eliana Dias – Andradas/MG

    Entre seus talentos: Educação Física  e Artes Plásticas

    Casada com o piloto e instrutor Cezar Dias há 27 anos, tem 2 filhos (um chef de cozinha e um ex-militar),  iniciou no voo por influência do marido, seu maior incentivador (segundo ela, ele tem um talento nato para ensinar a mulherada a voar). Há 12 anos mudou-se para Andradas e com 40 anos saiu do resgate e iniciou sua aventura alada no céu do voo livre. Atualmente em sua fase mais light, curte todo tipo de voo e se diverte com ele, mas já foi muito ligada ao voo de cross e competição.

     

    O importante é ser feliz! Eliana Dias
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